
Hoje queria ser folha e deixar-me levar pelo vento. Abandonar-me à sua vontade e pairar acima da Vida, acima da tristeza. Deixar-me levar nas suas asas e não pensar em nada, nada sentir. Ser folha apenas . Ora poisaria levemente no chão, ora me elevaria nos ares à medida da sua vontade. Os pássaros cruzariam o meu caminho, roçando-me com as suas asas. Olharia a cidade lá do alto - minúscula e iluminada - povoada de pequenas formigas em incessantes percursos. A vida lá em baixo reduzida a uma miniatura, enquanto eu estaria mais perto do sol. Mais perto do céu. Enquadrada no azul e rodeada destas nuvens de algodão. Arrastada por uma corrente mais forte, percorreria a terra, vendo o mundo mas não fazendo parte dele. Nestes dias de vento e já desde muito jovem faço sempre a mesma coisa. Caminhando contra o vento, fecho os olhos e percorro alguns metros assim, embalada no sonho de ser folha. Quando posso, abro os braços, jogo a cabeça para trás e sinto aquela emoção de criança voltar, deixando-me voar na corrente que me arrasta. Hoje gostaria de novo de ser folha. Levada pelo vento. Retirada à vida. Acima da tristeza e especialmente longe de mim.
Post enviado pela minha amiga Isís
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